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Como o Twitter ajudou vítima de abuso sexual a enfrentar exame ginecológico

Anneli Roberts nunca tinha feito exame de papanicolau e compartilhou seus receios no Twitter; inúmeras mensagens de apoio e dicas de usu√°rios da rede social a ajudaram [...]

Por P.A 24H em 12/08/2019 às 23:05:13

Anneli Roberts nunca tinha feito exame de papanicolau e compartilhou seus receios no Twitter; inúmeras mensagens de apoio e dicas de usu√°rios da rede social a ajudaram a se submeter a procedimento, usado para rastrear c√Ęncer de colo de útero. Anneli Roberts, vítima de abuso sexual, nunca tinha feito um exame de papanicolau e compartilhou isso no Twitter

Anneli Roberts/Divulgação

"Acabei de marcar meu primeiro exame de papanicolau. Demorou anos para ter coragem. Tenho 29 anos e sobrevivi a abusos sexuais. Hoje tive um estalo e marquei a consulta. Que tal um abraço coletivo?".

A mensagem foi publicada no dia 5 de agosto por Anneli Roberts, do País de Gales, no Reino Unido.

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Com mais de 55 mil curtidas, 3 mil coment√°rios e 1 mil retuítes, ela logo descobriu que o pedido por um abra√ßo coletivo deu início a algo muito maior: uma grande conversa global, repleta de conselhos, apoio e confiss√Ķes sobre o exame ginecológico usado na preven√ß√£o do c√Ęncer de colo de útero.

Anneli diz que ficou chocada com a quantidade de pessoas que entraram em contato com ela e a repercuss√£o do tuíte, publicado três dias antes da consulta.

Pessoas opinaram de diferentes lugares do mundo sobre por que algumas mulheres evitam o papanicolau ou como fazer para reduzir a ansiedade e preocupação com o procedimento.

"Eu costumo conversar muito no Twitter. Dou apoio a campanhas por saúde mental e o retorno na plataforma realmente ajuda", diz Anneli.

"Tuitei sobre a consulta porque queria prestar contas com meus seguidores. Tinha agendado uma outra vez, mas cancelei", conta ela.

Anneli diz que ficou surpresa com a rea√ß√£o, uma vez que as pessoas est√£o sempre com medo de falar sobre o tema. "Você pensa: sou a única que est√° tendo dificuldade?".

Ela conta que recebeu muitos conselhos bons que acabou adotando. "Muitas mulheres me disseram para falar com a enfermeira e eu n√£o imaginei como isso ia ser importante e útil antes de ter tuitado".

Anneli escreveu um post mais detalhado num blog sobre a experiência na consulta, contando que vestiu uma saia, acatando o conselho dado por v√°rias pessoas, de que isso a ajudaria a encarar o procedimento. Ela também contou à enfermeira o seu histórico de vítima de abuso sexual íntimo.

No Reino Unido, normalmente s√£o enfermeiras e n√£o médicos quem fazem o exame de papanicolau, no qual é introduzido um pequeno instrumento - chamado espéculo - na vagina, para manter o canal vaginal aberto e permitir a observa√ß√£o do colo do útero. Em seguida s√£o coletadas amostras de células da parede vaginal e do colo do útero - para an√°lise em laboratório.

Anneli conta que recebeu mensagens de profissionais da √°rea de saúde. Médicos lhe disseram que jamais pensaram que mulheres poderiam estar evitando fazer o exame de papanicolau - n√£o porque se sentiam constrangidas, mas porque havia muitas outras raz√Ķes para impedi-las de querer serem examinadas.

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Alguns homens e mulheres responderam ao tuíte de Anneli revelando as próprias histórias de abuso sexual e como pensaram duas vezes antes de se submeter a certos exames e procedimentos.

Homens escreveram sobre os desafios de fazer o exame de toque retal, também conhecido como exame de próstata, e algumas mulheres admitiram que n√£o sabiam o que esperar do primeiro exame de papanicolau que estavam prestes a fazer.

Heather Sales, de 44 anos, é uma das que respondeu ao tuíte original de Anneli. Ela aconselhou a pedir que a enfermeira usasse um espéculo menor, o que faria o exame parecer menos intrusivo.

À BBC, Heather disse que ela também teve problemas em fazer exames de papanicolau e que ficava ansiosa por motivos parecidos. "Isso foi anos antes de uma enfermeira me perguntar se eu preferia um espéculo menor", conta.

Heather diz que antes disso acontecer, ela nem sabia que podia escolher o tamanho do espéculo. Achou que n√£o ofereciam a alternativa porque seria mais difícil coletar o material com espéculos menores. "Elas s√£o, com certeza, menos assustadoras que os espéculos grandes. Acho que deveriam ser uma op√ß√£o para mulheres que claramente est√£o ansiosas".

Outra usu√°ria do Twitter compartilhou a própria experiência dizendo que sempre achou que os exames de papanicolau eram muito desconfort√°veis. "Na hora do exame, digo firmemente 'acho esse procedimento difícil e às vezes fico com os músculos tensos. Por favor, pare quando eu lhe pedir e só reinicie quando eu disser (que pode)'".

"Eles s√£o geralmente muito, muito legais e conversam sobre o tempo, feriados ou algo que me distraia."

"Eu queria oferecer apoio fraterno à jovem corajosa e dar a ela palavras que às vezes você n√£o tem quando est√° estressado. Eu tive boas e m√°s experiências de teste de papanicolau, e tudo isso depende muito da forma que as pessoas fazem o exame".

Essa usu√°ria contou que, uma vez, uma enfermeira disse "vou ter que fazer isso" na hora em que os músculos da vagina estavam tensos, provocando dor ao for√ßar o espéculo. "Me senti violada e com dor. Agora sou muito clara em falar (como quero que o exame seja feito)".

Anneli disse que, embora n√£o tenha sido capaz de responder a todos, era animador ver estranhos conversando sobre o assunto. "Toda vez que eu senti que n√£o era capaz de ir em frente, olhei para as respostas e isso me fez sentir mais forte", disse ela.

Em seu blog pessoal, Anneli acrescentou que se sentiu aliviada depois de tudo, mas que pessoas que sofreram agress√£o sexual podem ter um longo caminho pela frente antes de se sentir preparadas para um exame t√£o íntimo.

Ela disse: "O procedimento n√£o foi doloroso ou realmente desconfort√°vel. A enfermeira era simp√°tica e incrivelmente compreensiva. N√£o demorou muito e, sim, estou feliz por ter ido".

"Mas dizer essas coisas e esperar que outras vítimas de agress√£o sexual, abuso e estupro se conven√ßam de que n√£o h√° raz√Ķes para se preocupar seria fazer um desservi√ßo a essas mulheres."

Fonte: G1

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