Pouso Alegre 24 horas

O que se sabe sobre o homem agredido e morto dentro de supermercado no Maranhão

Por P.A 24H em 27/06/2022 às 13:55:44
Segundo a família da vítima, ele tomava medicamentos controlados e teve um surto dentro do supermercado. Caso está parado há três anos. Jovem negro é agredido e morto dentro de supermercado no Maranhão

Reprodução/TV Mirante

No dia 12 de junho de 2019, um homem, identificado como Darlon Oliveira dos Santos, de 27 anos, foi agredido até a morte por funcionários do supermercado Mateus, no bairro da Cohab, em São Luís. Tudo foi gravado por câmeras de segurança (veja no vídeo abaixo).

Nas imagens, às 23h58, Darlon aparece sem camisa na companhia de um segurança e outro homem. Ele leva vários tapas e socos do segurança, até que cai no chão. Depois, outros funcionários chegam para imobilizar o rapaz.

O segurança retira algumas cordas do uniforme, aparentemente para amarrar o jovem, que resiste. Darlon então é arrastado pelos funcionários e pelo segurança da loja.

Vários funcionários do supermercado aparecem na cena, em cima da vítima, que já parecia estar imobilizada. Em determinado momento, Darlon volta a se debater no chão, os funcionários se amontoam sobre ele e, logo em seguida, ele aparece já sem movimentos.

Ao todo, foram dez minutos de agressões e algumas pessoas aparecem para checar se a vítima ainda havia pulso e depois, tiram fotos. Darlan morreu no local. De acordo com a Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MA), ele era casado e tinha três filhos.

Veja abaixo o que se sabe e o que falta saber sobre o caso.

Como se deu o início das investigações?

A Polícia Militar do Maranhão (PM-MA) foi acionada no dia do fato e chegou ao local 00h20. Um dos policiais relatou em depoimento que chegou ao supermercado e já encontrou a vítima sem vida e com os pés amarrados.

Meia hora depois, os socorristas do Serviço Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) foram acionados e chegaram ao local, mas não podiam mais fazer nada, já que Darlon estava morto. Os funcionários negaram à polícia que houve agressão.

Como está o processo do caso?

Desde quando o caso foi registrado, o processo segue aberto e as investigações não tiveram conclusão. Porém, a Polícia Civil diz que está sendo concluído.

Por que a demora para concluir o caso?

Em nota, a Polícia Civil informou que 'foram adotadas todas as medidas necessárias e legais', inclusive as formalizações de depoimentos em um prazo inferior a 30 dias, referente ao caso.

Dentre os pontos citados para a demora na conclusão do caso está um laudo do Instituto Médico Legal que apontou morte por asfixia, mas 'inconclusivo' quanto ao que causou a asfixia.

Para a Polícia Civil, a asfixia poderia ter sido causada por intoxicação aguda por entorpecentes (uso de drogas) ou ação por sufocação direta por constrição cervical. Ao final, segundo a SSP, o perito legista sugeriu a necessidade da realização de exames laboratoriais (alcoolemia e toxicológico).

Ao fim, o laudo toxicológico também resultou inconclusivo, quanto aos exames efetuados nas amostras de tecidos do fígado e cérebro. Daí a polícia pediu novamente a perícia nas amostras de sangue coletada para tirar a dúvida sobre o tipo de morte por asfixia.

Por que o caso só veio à tona agora?

O caso aconteceu em junho de 2019, mas somente no dia no último dia 22 de junho as imagens teriam chegado na Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MA), que tem cobrado o andamento no processo, afinal, após três anos, ninguém foi indicado pelo crime.

O que diz a família

No canto da tela, Darlon parece estar desacordado e alguns funcionários checam a situação.

Reprodução/TV Mirante

Segundo a família de Darlon, ele tomava medicamentos controlados e, naquele dia, teria esquecido de tomar os remédios e teve um surto dentro do supermercado. A vítima acreditou que estava sendo perseguida e ficou agitado, o que teria chamado a atenção dos seguranças.

"A Comissão de Direitos Humanos da OAB Maranhão, no cumprimento das suas prerrogativas, oficiou nesta quarta-feira dois órgãos. Primeiramente a Secretaria de Segurança Pública, do Governo do Estado, no sentido de entender o motivo da demora de tantos anos na conclusão do inquérito policial que investiga o caso do Darlon. Assim como oficiou o Ministério Público do Maranhão para ter informações sobre a fiscalização, através da promotoria de controle externo e atividades policiais", disse Erik Moraes, da OAB.

O que diz o supermercado Mateus

Em nota, o Supermercado Mateus declarou que o inquérito sobre o caso ainda não foi concluído e que, ao contrário do que está sendo noticiado, de acordo com documento emitido pela Secretaria Estadual de Segurança Pública, Darlon Oliveira do Santos não é classificado como negro.

O grupo Mateus diz ainda que um laudo emitido pelo IML concluiu que não houve tortura e não atestou asfixia decorrente de ação humana.

Fonte: G1

Comunicar erro

Comentários