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Associação de Estudantes de RR acusa policial militar de agredir e xingar aluna trans em colégio militarizado: 'viadinho'

Por P.A 24H em 01/09/2022 às 18:53:17
Assoer afirma que a aluna de 17 anos foi xingada por um tenente da Polícia Militar, que é inspetor do colégio Estadual Militarizado Severino Cavalcante. Secretaria de Educação afirma que se trata de "um fato isolado" e que "não compactua com qualquer atitude homofóbica". Imagens registraram confusão envolvendo PM e alunos de escola militarizada em Boa Vista

Reprodução/Redes sociais

A Associação de Estudantes de Roraima (Assoer) acusa um tenente da Polícia Militar de agredir uma aluna trans de 17 anos durante confusão no colégio Estadual Militarizado Severino Cavalcante no bairro Pintolândia, zona Oeste de Boa Vista. A confusão ocorreu nessa quarta-feira (31).

Segundo a Assoer, o oficial deu um tapa na mão e chamou a aluna de "viadinho". O militar ocupa a função de inspetor na escola. Por ser militarizada, a Secretaria de Educação (Seed) compartilha a gestão com militares estaduais.

Nesta quinta-feira (1º), o presidente da Assoer, Endrio Gabriel da Silva, e a aluna registraram um boletim de ocorrência contra o policial no Núcleo de Proteção a Criança e ao Adolescente da Polícia Civil.

Eles relataram no BO que ele chamou a adolescente de "viadinho" e mandou ela "se f****". A vítima, ainda no relato, afirmou que se sentiu descriminada e coagida. Um vídeo que circula nas redes sociais registrou parte da confusão generalizada após o episódio.

Procurada, a Seed informou que tomou conhecimento do caso por meio das redes sociais, disse que se trata de um fato isolado e que "a gestão do Colégio interviu de imediato, acionando inclusive os pais dos alunos envolvidos."

Além disso, afirmou que "não compactua com qualquer atitude homofóbica, discriminação de qualquer espécie ou atitudes de violência seja ela psicológica, física ou moral dentro de ambientes escolares", acrescentando que "está em contato com a gestão do Colégio para esclarecer todos os fatos com responsabilidade."

Confusão

No boletim de ocorrência, o presidente da Assoer e a aluna disseram que houve um desentendimento entre o policial militar e a aluna após ele ter gritado com a turma dela.

"Complementando o que a vítima colocou no BO, houve um desentendimento entre ela e o servidor [policial militar], após o servidor ter gritado com a turma dela. Depois houve uma alteração de tom de voz de ambas as partes e outros estudantes envolvidos, até que o servidor a empurrou e a mesma começou a gravar, o que resultou no vídeo", informou Jean Farias, diretor financeiro da Associação que acompanha o caso.

A Assoer informou que encaminhará um ofício à Secretaria estadual de Educação solicitando a abertura de um processo de apuração dos fatos por meio de uma sindicância para "resolução interna do problema na escola."

Embora a Assoer tenha informado que se tratou de um caso de assédio, agressão, e constrangimento previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente e "possível homofobia", no registro do BO foi citado o crime de "assediar, constranger, humilhar, perseguir ou ameaçar, por qualquer meio, candidata a cargo eletivo ou detentora de mandato eletivo", previsto no Código Eleitoral.

O g1 questionou a Polícia Civil se houve engano na tipificação do crime no registro do documento, e também se o relato vai ser investigado, mas não obteve resposta até a última atualização da reportagem.

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Fonte: G1

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