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Alta dos preços e falta de apoio internacional agravarão fome no Afeganistão durante inverno, diz Cruz Vermelha

Por P.A 24H em 29/11/2022 às 01:24:39
Desde a saída dos norte-americanos do país, em 2021, e a retomada do Talibã, Afeganistão sofre com sanções internacionais que afetam diretamente a população. Um combatente do Talibã fica de guarda enquanto as pessoas recebem rações de alimentos distribuídas por um grupo de ajuda humanitária saudita, em Cabul, Afeganistão, abril de 2022

AP Photo/Ebrahim Noroozi

Mais afegãos lutarão pela sobrevivência à medida que as condições de vida se deteriorarem no próximo ano, disse um alto funcionário do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) em entrevista, enquanto o país se prepara para seu segundo inverno sob o domínio do Talibã.

A tomada do poder pelo grupo em agosto de 2021 colocou a economia em parafuso e transformou fundamentalmente o Afeganistão, levando milhões à pobreza e à fome, já que a ajuda estrangeira parou quase da noite para o dia.

“A dificuldade econômica existe. É muito sério e as pessoas vão lutar por suas vidas”, disse Martin Schuepp, diretor de operações da Cruz Vermelha, em entrevista.

Sanções aos governantes do Talibã, suspensão de transferências bancárias e bilhões congelados nas reservas monetárias do Afeganistão já restringiram o acesso a instituições globais e ao dinheiro externo que sustentava a economia dependente de ajuda do país antes da retirada das forças dos EUA e da Otan.

Uma garota segura uma galinha em Cabul, Afeganistão, abril de 2022

AP Photo/Ebrahim Noroozi

O início do inverno aumentará as necessidades humanitárias agudas que metade do país já enfrenta, apontou Schuepp.

“Os preços estão disparando devido a uma série de razões, mas também a questão das sanções levou a enormes consequências”, disse ele. “Vemos cada vez mais afegãos tendo que vender seus pertences para sobreviver, onde precisam comprar materiais para aquecimento e, ao mesmo tempo, enfrentar custos crescentes com alimentos e outros itens essenciais.”

Schuepp explicou que as sanções são um desafio para levar ajuda e os suprimentos necessários ao país em tempo hábil, e é fundamental que todas as sanções tenham isenções humanitárias para que organizações como o CICV possam continuar seu trabalho.

A Cruz Vermelha já está pagando os salários de 10.500 médicos todos os meses para garantir que os serviços básicos de saúde continuem funcionando. “Estamos muito conscientes de que não é nosso papel principal pagar os salários da equipe médica. Como organização humanitária, não estamos em melhor posição para fazer isso. Fizemos isso excepcionalmente para garantir que os serviços continuem a ser prestados", afirmou o diretor da instituição.

Schuepp, que, quando entrevistado, fazia sua primeira visita ao Afeganistão como diretor de operações desde a tomada do Talibã, disse que a agência estava alimentando a maior parte da população carcerária do país. Ele não conseguiu dizer imediatamente quantos prisioneiros havia no território afegão.

“Intensificamos o nosso apoio às prisões e aos reclusos, garantindo que a alimentação será fornecida nas prisões de todo o país”, disse. “Hoje, cerca de 80% da população carcerária se beneficia desse apoio alimentar.”

Duas crianças em pilhas de lixo ao lado de sua casa, em Cabul, Afeganistão, abril de 2022

P Photo/Ebrahim Noroozi

O diretor descreveu o papel da Cruz Vermelha como uma “medida temporária” que se tornou necessária após o colapso do governo afegão apoiado pelos EUA, uma vez que Washington iniciou sua retirada final de tropas do território afegão em agosto de 2021.

De acordo com Schuepp, a Cruz Vermelha tenta “garantir que os serviços básicos continuem” nas prisões sob domínio do Talibã.

Nenhum país do mundo reconheceu o Emirado Islâmico do Afeganistão, como os talibãs chamam sua administração, deixando-os isolados internacionalmente. O grupo religioso governou o Afeganistão na década de 1990 e foi derrubado por uma invasão dos EUA em 2001.

Um combatente do Talibã fica de guarda enquanto as pessoas recebem rações de alimentos distribuídas por um grupo de ajuda humanitária chinês, em Cabul, Afeganistão, abril de 2022

P Photo/Ebrahim Noroozi

Fonte: G1

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